quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Eva e o trapézio...

a discoteca estava cheia de uma massa homogénea de caras desconhecidas... ontem apeteceu-me ir sozinha, as companhias do costume parecem-me demasiado enfadonhas.. está a tocar aquela musica irritante do costume já não a suporto, o ar encontra-se putrefacto com a mistura dos suores dos corpos que se comprimem no mesmo espaço imitando as sardinhas das latas de conserva.. acho piada ao bando de corvos que rodeiam um grupo de miúdas na casa dos 20 anos completamente envolvidas nos efeitos do álcool dançando de forma (pensam elas) sensual. a dança resulta em movimentos desajeitados de quem já não controla os movimentos do corpo cambaleante.. vão acabar na cama de algum dos abutres que as observam. na minha guerra para conseguir chegar ao balcão e pedir a minha vodka preta com redbull deparo-me com um rosto familiar a tentar ser ouvido pelo barman que não tinha amos a medir para tanta clientela. o meu coração pára.. a minha boca solta um tenue som tremido: - Manuel..esfrego os olhos tentando clarear a imagem dele...Manuel.. sussurra a minha mente que vê o seu estado alterar-se; o ritmo cardíaco disparou em flecha, calor na face, aperto no fundo do estômago, amassei a nota na mão tentando passar-lhe esta energia que me abala.. está igual, os caracóis rebeldes do comprimento que eu dizia ser o ideal para puxar (cumplicidade de amantes apaixonados pela loucura)..observo-o sem ser vista, deliciando-me com cada recordação que aquelas feições me ofereceram, devo ter estado parada no tempo fixando-o com um sorriso estampado no rosto que nao consegui nem tentei sequer esconder..não dei conta que ainda mexia tanto comigo, num impulso aproximei-me e toquei-lhe na palma da mão deslizando a ponta do meu dedo em círculos no centro onde se cruzam as linhas do amor e da vida..era no nosso toque dos tempos em que partilhávamos o mundo.ergueu o rosto e encarou-me olhos nos olhos com mil e uma perguntas que precisavam de explicação.. respondi a todas com um beijo.. terno, suave, com as minhas mãos rodeei o seu rosto, transmitindo todo a ternura e saudade que senti no momento..um assalto de carência ou amor, não sei, ou não quero saber, perdi o controlo de mim e deixei toda a minha necessidade de dar, a urgência de amar e perdi-me nele... contornei os seus lábios lentamente, provocando..recuando..brincando..o desafio que sempre o fez desejar-me com a luxuria necessária para me completar... neste momento encontra-se tal como veio ao mundo, deitado de costas a dormir um sono profundo no meu leito; admiro cada curva, sinal, admiro a tatuagem, louco... não encontro uma explicação para o que fiz.. eu não estava bêbada, nem debaixo de nenhuma "pedra".. porquê com o Manuel? terá sido uma brincadeira de mau gosto de algum diabrete que o enfiou de novo na minha vida? será que ainda me ama? caralho!?!?! vou magoa-lo de novo...que fiz eu?? como irá ser o acordar? que lhe direi? não posso fugir e deixar um bilhete como da ultima vez..mas será isso que quero fazer? que faço merda?!? vai acordar, já se começou a esticar lentamente imitando um felino no seu despertar.. como o conheço, ou melhor, conhecia..já passou algum tempo desde que terminei algo que pode ter sido a melhor relação da minha vida.mas eu precisava voar, encontrar em mim o que ainda desconhecia. mudei, mas continuo sem saber quem quero, ou porque quero.. será que já sei mas não quero ver? acordou... e agora?

3 comentários:

johnny disse...

Aposto que sei qual era a música...

"I gott'a feeling..."

Amaterasu disse...

essa mesmo :) irrita-me profundamente.. so me apetece andar ai pontapé e ao chapadão..

Otário disse...

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