estou a tremer, apetece-me fazer o que sussurraste ao meu ouvido.. por mim, por tudo..mas não quero, não posso, não sei...
aperto ansiosamente a rosa que me deixaste..pétalas aveludadas que me lembram a tua pele... conto mentalmente os segundos em que sustenho o ar nos meus pulmões...1..2...3..4..5..6..7..8..9..10... expiro lentamente despejando o peito até sentir a ultima lufada... sensação de paz momentânea.. a tua visita fez-me recordar velhas historias... Eva... procuraste-me depois de tantos anos... com esse sorriso de criança travessa, os teus olhos continuam como antes cheios de malícia... disseste que o tempo em fomos um só foi fantástico para ti.. eras selvagem, o teu corpo alvo governado por essa língua afiada eram o meu devaneio.. com o tempo foste-te afastando de mim.. encontraste novas paisagens para contemplar e novas sensações para descobrir... como sempre partilhaste as tuas aventuras luxuriantes comigo mas não te apercebeste que mudei... já não sou a mesma pessoa de outrora... mas continuo a precisar de estabilidade..de atenção Eva!!! estou a falar para as paredes como se tu me pudesses ouvir.. gostava de te poder gritar aos ouvidos tudo aquilo que penso...não consigo!!! as paredes continuam mudas e eu continuo a falar para a tua presença apenas visível na minha mente... oh Eva... é difícil.. apareces num dia em que tudo parece correr mal... é no trabalho, em casa, amorosos que não me larga aquela besta... imagina o meu espanto quando entro para beber o meu chá de final de tarde, no local de sempre que ainda não fui capaz de mudar porque este sitio me lembrava de ti, e lá estas tu...sentada na minha mesa, linda como sempre... cresceste, estas mais segura ti , como se isso fosse possível, os teus lábios que noutros tempos me devoravam pintados de cor de vinho.. lábios de vinho como eu dizia...não te esqueceste desse detalhe subtil... a mesa que partilhei contigo durante os anos de faculdade nos nossos finais de tarde em que namorávamos descaradamente sem nos esconder de ninguém está cheia hoje... só a tua presença iluminou o local... e tu apareces assim do nada... não te via desde que nos licenciámos.. estás igual, sorridente, alegre, impulsiva e provocadora... fomos unha e carne durante dois anos... uma só alma... tu lá ias ter com outros para variares como dizias... eu não era capaz, mas respeitava isso em ti.. eles podiam dar o que eu e tu bem sabíamos que entre nós não podia haver... tolas.. nunca mais tive nenhuma miúda depois de ti; aliás, foste a única.. voltei para os homens tal como antes de te conhecer e tenho procurado o sonho dito normal.. casar e ter filhos... já estou pronta para isso Eva... não me venhas retirar o meu sossego... eu quero ser esta Amanda... aquela que já não se mete nas tuas loucuras... vou ter de resistir tentar negar o teu ultimo capricho...
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
A Amaterasu...
o velho radio canta a mesma melodia vezes sem conta ... não me apetece muda-la... time is on your side.... repete aquela voz entrando em mim lentamente e martelando as mesmas ideias difusas... vou ordenar as ideias... por onde começo? por mim? identificando-me perante aquilo que penso ser? vou tentar...
-sou a Maria.... a romântica incurável... a que ama em demasia e sofre em exagero, a que se entrega e dá tudo de si...
não, espera... não sou a Maria...
-sou o Manuel... aquele que se perde na melodia de um outro dia que já não existe e se entrega no embalo da saudade, o que sofre na pele os flagelos do amor e por ele morre definhando dia a dia agarrado à recordação da felicidade que escorreu das suas mãos...
espera...
-sou a Amanda... a que se esconde dos outros e do passado no seu pequeno mundo, aquela que se perde na inquietude da liberdade roubada por quem não se quer... serei eu ela?
-não, talvez eu seja o Luís... o que mantém a vida dupla... o saltimbanco das mascaras opostas... o marido fiel e honrado que esconde o amante do pecado...
hmmm será que sim? não sei...
-sou a Eva? a selvagem... a que corre livremente pelos prados amando e esquecendo... esquecendo e amando a luxuria, o calor, o momento....
a musica está a recomeçar de novo, já nem sei quantas vezes hoje o piano me ofereceu as notas dedilhadas suavemente pelo dono desta voz... para quê perder tempo em tentar saber quem sou? posso ser tantas coisas e viver tantos momentos diferentes absorvendo-os com a intensidade necessária para me sentir viva...
gosto da pureza da Maria, do sofrimento do Manuel, do mundo da Amanda, dos segredos do Luís, e do pecado da Eva... e gostarei de pequenos pormenores de tantas outras identidades ainda por descobrir e criar com os traços leves dum lápis roído, no eterno caderno preto onde residem os pequenos rasgos de nada ... os rasgos de Amaterasu... as personagens de ninguém que poderias ser tu...
sábado, 6 de fevereiro de 2010
Sei lá...
que ando a fazer?
não sei...
aperto a cabeça entre as mãos tentando abstrair-me destes meus pensamentos divagos e confusos como sempre...
passou, doeu e agora esquece!
diz-me a voz interior que sempre me acompanha.. mas eu questiono-me...
será que passou?
será que doeu?
esquecer o que? aquilo que não foi?
porque me perco assim dentro de mim mesma?
não estou feliz, não estou infeliz...
encontro-me num estado de contentamento descontente...
sei lá...
tudo me parece tão fútil.. tão irrelevante e ao mesmo tempo tão profundo e importante para minha sanidade mental e emocional...
sei lá...
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Pensamentos inconstantes
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