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sábado, 2 de abril de 2011

Metamorfose

Os dias passam e as mudanças ocorrem sem que consiga absorver a magnitude das transformações que germinam em mim e nos outros. Nos últimos meses senti o tempo duma forma que ainda não tive hipótese de analisar sem ser pelos sentidos. O tempo continua com o seu tempo, mas a minha percepção dele alterou-se. O mundo gira no seu eixo, a sociedade transmuta-se e eu parei; para tentar descodificar a metamorfose que sofro e o mundo sofre. Sem no entanto entender e qualificar o ser em que me estou a tornar, o mundo que está a eclodir.. Tento não culpar o tempo e as alterações que ele traz consigo... Não é ele que tem a culpa, somos nós com as consequências das nossas acções que mudamos os caminhos e os significados da nossa existência consoante a maré das necessidades e dos sonhos.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

A forca...

as cordas invisiveis apertam a minha garganta impedindo-me de respirar! revejo a minnha vida num relampago fugaz.. nao me apetece libertar destas cordas invisiveis que me sufocam.. mas também nao quero ficar presa nesta indecisão de estar bem ou não estar.. deixo-as apertarem mais e mais nao mexendo qualquer musculo nem sentimento com o intuito de me decidir.. vou deixar entrar a dor...
a dor de ter de errar, a dor de ter de sentir, a dor da frieza desmedida.. quem seria eu sem a dor?
mais um ser esbarrado na monotonia de sentir por sentir, de respirar por respirar...

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Minutos meus..


fecho o caderno das recordações e espero calmamente que se dissipem no ar gélido da noite.. envolvo-me no manto das historias por contar e agarro-me a elas nesta noite vazia de alguém mas cheia de mim..

sábado, 13 de março de 2010

Aiiiiiiiiiiiiiiii

apetece-me gritar
afiar os ossos das mãos em carne humana
sentindo o calor do sangue a jorrar por entre os meus dedos
estripando a minha vontade
deixando-a nua, despida de todos os coletes de forças
que a prendem empurrando-a para baixo
que apunhalam o meu peito uma e outra vez
ate ficar sem forças e cair no silêncio..

segunda-feira, 1 de março de 2010

O Amor

Porquê amar?
sim!
Amar por amar
Para quê, para quê?


Se gozam connosco por amar, amar
De corpo e alma para um dia voltar a chorar?


Para quê?
sim, dar amor, dar
e dar e não parar de dar 
e um dia ser triste, desolado, desalentado
por nao sermos correspondidos?
mas, porquê?


Amarei,
Voltarei a amar
Sempre que preciso 
e nos braços 
Desolados da solidão,
Gritarei amor até mais não!

(Antologia de Novos Poetas : As palavras do Amor, editora: Elefante Editores 1999)

[ escrevi este poema para um desafio literário proposto aos jovens da minha cidade quando tinha 12 anos que acabou em publicação, passado tanto tempo ainda me revejo nestas palavras. apeteceu-me partilhá-lo.. :) ]

Modas do vento..

no bailar do compasso dedilhado pelas mãos calejadas de um artista nós dançamos ao som da rebeldia que nos caracteriza... as cores da exuberância e da gargalhada estridente estão tatuadas em nossas faces que afastam as tristezas. :) sou o teu "mini ego" ves em mim a mesma fome de pó de estrada, a mesma impulsividade de ver o mundo e a urgência de sentir que fervilhava nas tuas veias quando tinhas a minha idade, sentes a tolice e a insegurança e arranjas formas de ela ser ultrapassada com um simples gesto de paciência... a amizade não escolhe idades mas sim vontades.


a ti vadio como o vento

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

A Amaterasu...

o velho radio canta a mesma melodia vezes sem conta ... não me apetece muda-la... time is on your side.... repete aquela voz entrando em mim lentamente e martelando as mesmas ideias difusas... vou ordenar as ideias... por onde começo? por mim? identificando-me perante aquilo que penso ser? vou tentar...
-sou a Maria.... a romântica incurável... a que ama em demasia e sofre em exagero, a que se entrega e dá tudo de si... 
não, espera... não sou a Maria...
-sou o Manuel... aquele que se perde na melodia de um outro dia que já não existe e se entrega no embalo da saudade, o que sofre na pele os flagelos do amor e por ele morre definhando dia a dia agarrado à recordação da felicidade que escorreu das suas mãos...
espera...
-sou a Amanda... a que se esconde dos outros e do passado no seu pequeno mundo, aquela que se perde na inquietude da liberdade roubada por quem não se quer... serei eu ela? 
-não, talvez eu seja o Luís... o que mantém a vida dupla... o saltimbanco das mascaras opostas... o marido fiel e honrado que esconde o amante do pecado... 
hmmm será que sim? não sei... 
-sou a Eva? a selvagem... a que corre livremente pelos prados amando e esquecendo... esquecendo e amando a luxuria, o calor, o momento.... 
a musica está a recomeçar de novo, já nem sei quantas vezes hoje o piano me ofereceu as notas dedilhadas suavemente pelo dono desta voz... para quê perder tempo em tentar saber quem sou? posso ser tantas coisas e viver tantos momentos diferentes absorvendo-os com a intensidade necessária para me sentir viva...
gosto da pureza da Maria, do sofrimento do Manuel, do mundo da Amanda, dos segredos do Luís, e do pecado da Eva... e gostarei de pequenos pormenores de tantas outras identidades ainda por descobrir e criar com os traços leves dum lápis roído,  no eterno caderno preto onde residem os pequenos rasgos de nada ... os rasgos de Amaterasu... as personagens de ninguém que poderias ser tu...